por Thiago Campi
A visão é, muito provavelmente, um dos sentidos mais valiosos para os seres humanos. Muito antes de contribuir para o desenvolvimento do nosso intelecto, enxergar foi essencial para nossa sobrevivência: prevenir perigos, identificar alimentos, reconhecer semelhantes e enfrentar ameaças são habilidades que acompanham nossa espécie há centenas de milhares de anos.
Pode parecer contraintuitivo, portanto, afirmar que o excesso de luz seja prejudicial. No entanto, a verdade é que a iluminação artificial em excesso impacta não apenas a saúde humana, mas também toda a biota do planeta.
O ciclo circadiano — mecanismo que regula sono, metabolismo, atividade celular e até a expressão gênica de grande parte dos seres vivos — depende diretamente da alternância entre luz e escuridão. O aumento contínuo da iluminação artificial na Terra tem gerado impactos ambientais significativos e há fortes evidências que está associado ao crescimento de diversas doenças e distúrbios, especialmente nos centros urbanos.
É nesse contexto que nasceu o projeto Luz Oculta, criado com o objetivo de fomentar a discussão sobre a poluição luminosa a partir do viés da imagem. A fotografia de paisagem noturna, frequentemente chamada de astrofotografia, vai muito além do registro estético do céu estrelado. Pode ser uma ferramenta poderosa para identificar e caracterizar focos de iluminação inadequada, contribuindo para a mitigação de seus impactos ambientais.
A proposta do Luz Oculta envolve a documentação da paisagem noturna dentro de unidades de conservação — áreas que, em princípio, apresentam menor interferência de iluminação artificial. Esses registros não apenas eternizam a beleza do céu noturno e das paisagens naturais, como também revelam focos de poluição luminosa em seu entorno.
No terceiro ano do projeto, o planejamento avança em uma nova direção. Diferentemente das edições anteriores, parte significativa dos registros passa a ser realizada em unidades de conservação localizadas muito próximas a áreas urbanas densamente povoadas do Estado de São Paulo. Nesses locais, a intensidade da iluminação torna difícil a identificação de fontes isoladas de poluição luminosa, que se sobrepõem e criam uma camada acinzentada que encobre o firmamento.
Além da produção fotográfica, o projeto também tem se destacado por seu forte viés de educação ambiental e difusão da fotografia. Apresentações, exposições e oficinas de fotografia noturna vêm sendo realizadas em unidades de conservação, escolas e espaços culturais, ampliando o alcance do debate e aproximando diferentes públicos do tema.
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Informações adicionais sobre o projeto Luz Oculta podem ser encontradas em:
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